Essa tortura tem de acabar

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cidade gentil tem ônibus

Hoje, assisti a um filme (Mais Estranho que a Ficção) rodado numa grande cidade do mundo. E todos os personagens andavam de ônibus. Como eu gostaria que minha cidade fosse assim!

Lá, a palavra ônibus fazia jus ao seu significado latino: para todos.

Era um filme sobre uma escritora que, sem o saber, ao escrever, descrevia a vida de um homem que existia, de fato. De repente, enquanto ela escrevia, começou a afetar a vida dele, e ele começou a ouvir a sua narração. Daí, parte em busca de ajuda, até que encontra a escritora. E, para todas as idas e vindas, o ônibus era suficiente. Como eu queria que na minha cidade fosse assim!

Um filme impressionante sobre como o escritor é um senhor de destinos. E a escritora, depois de encontrada, se deu conta de quanta gente já havia matado. E foi falar com o professor de literatura que havia ajudado o seu personagem a compreender a trama e a localizar. E para tudo havia um ônibus, esperado numa fila organizada e pacífica. Como eu gostaria que também fosse assim na minha cidade !

O fim determinaria se se tratava de uma tragédia ou de um comédia. Tudo apontava para uma tragédia, o que implicaria na morte do personagem. Mas o personagem começou a lutar por sua vida! Instigante! E muita dessa consciência aconteceu num ônibus! Um ônibus onde era possível pensar, decidir e sonhar¡ Como seria maravilhoso se, em minha cidade, fosse assim!

O personagem vivia uma vida sem graça. Como, às vezes, a gente quer que a vida seja, principalmente quando os pesadelos passam a povoar o dia. Mas apareceu uma mulher maravilhosa! As mulheres maravilhosas fazem a vida valer a pena! Ele o percebeu quando a reencontrou no ônibus. Um ônibus que permitia que uma mulher maravilhosa fosse vista! Como deveria ser assim em minha cidade !

A escritora, especialista em tragédia, mudou o fim da história, estragando sua obra prima. Teve de reescrever o livro. E o ônibus, que com o personagem se chocara, quando este salvava um menino da morte certa, ao invés de torná-lo um herói morto, o fez um herói machucado, acariciado pela mulher que o despertara, num ônibus, para uma vida que valia a pena viver. Como seria bom se isso pudesse acontecer na minha cidade!

A escritora, que, assustadoramente, teve a anuência do personagem quanto ao fim trágico (sim, ele leu o texto e concordou que teria de morrer para que o livro fosse uma obra prima!), mudou o final, quis sentir o gosto da bondade na condução de uma existência, mesmo tendo de reescrever o livro. Será que Deus faz assim? E o ônibus, que o mataria, o ressuscitou! Quem me dera que na minha cidade fosse assim!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não passa

Estive em Jerusalém, é impressionante!

Apesar de tudo ter se tornado um rentável comércio, é gratificante passar por lugares que nos remetem ao primeiro século, com todo o seu significado.

A guia, apesar de muito simpática, estava lá para nos convencer do sionismo; em que pese seu primoroso conteúdo histórico – a toda hora éramos lembrados de que Israel está se defendendo... apenas.

Estar no cenário da Bíblia é instigante, muitos textos ganham novos contornos.

As imagens são marcantes.

Marcante, também, é o contorno políico que a tudo encerra e a segregação racial: cada povo tem seu lugar. Miscigenação... nem pensar!

Chocante! Principalmente, para quem vem de uma realidade marcada pelo encontro, pela benfazeja mistura.

E, aí, Belém... a cidade do Rei Davi, local de nascimento de Jesus de Nazaré.

Pertence à Autonomia Palestina e está a ser murada.

E já vai longe o muro.

As pessoas para sair precisam de passe. Há vários tipos de passes, dependendo das atividades: trabalho, estudo, etc! Se a pessoa tiver qualquer tipo de problema com Israel, não passa mais.

Bem... é direito de qualquer país vetar a entrada em seu território, a quem quer que julgue representar algum perigo para a segurança nacional.

Mas, Belém está a ser isolada: se a pessoa não passar por Israel, não passa.

E o mundo não vê!